Quarta-feira, Maio 14, 2003
Aos poucos, porém, queridos leitores deste blog: estarei "out" por tempo indeterminado. Sem muito tempo ou possibilidade para escrever. Até a volta...
Terça-feira, Abril 15, 2003
Ditadores
Os ditadores podem ser divididos em dois grupos: ditadores e ditadores. No primeiro caso há, por exemplo, Sadam Hussein. No segundo, Fidel Castro. O primeiro perseguiu, torturou e mandou matar aqueles que se opunham ao seu regime. O segundo persegue, prende e manda executar pessoas que se opõem ao seu regime. O primeiro usava de força e carisma para se manter no poder. O segundo usa de força e carisma para se manter no poder. O primeiro viveu cercado de riquezas e luxos e deixou o povo na miséria; o segundo é um pouco mais discreto, e deixou o povo com saúde e educado mas, na pobreza.
O primeiro é visto pelos povos de outros países como o demo, satanás, filhote de cruz credo. O segundo é visto como um revolucionário, corajoso, ídolo. O primeiro ninguém gostaria de receber. O segundo é sempre recebido com festa, com honras em alguns países democráticos.
Durante a guerra do Iraque, o regime de Fidel prendeu e executou pessoas que sequestraram um navio para fugir para Miami. Também, mandou prender e condenou a penas altíssimas opositores, incluindo, jornalistas, poetas, e dirigentes de grupos de defesa de direitos humanos.
A diferença entre um e outro pode ser enorme mas, pode ser mínima, também. No princípio, pode ter sido tudo MUITO diferente mas, passados tantos anos, as coisas mudaram e foram se assemelhando.
Não há argumento que me convença que Fidel, hoje, não deva ser visto apenas como um ditador. Que ele fez tudo o que ele fez, não há dúvida. Mas, também, não há dúvida sobre tudo o que ele faz.
Os ditadores podem ser divididos em dois grupos: ditadores e ditadores. No primeiro caso há, por exemplo, Sadam Hussein. No segundo, Fidel Castro. O primeiro perseguiu, torturou e mandou matar aqueles que se opunham ao seu regime. O segundo persegue, prende e manda executar pessoas que se opõem ao seu regime. O primeiro usava de força e carisma para se manter no poder. O segundo usa de força e carisma para se manter no poder. O primeiro viveu cercado de riquezas e luxos e deixou o povo na miséria; o segundo é um pouco mais discreto, e deixou o povo com saúde e educado mas, na pobreza.
O primeiro é visto pelos povos de outros países como o demo, satanás, filhote de cruz credo. O segundo é visto como um revolucionário, corajoso, ídolo. O primeiro ninguém gostaria de receber. O segundo é sempre recebido com festa, com honras em alguns países democráticos.
Durante a guerra do Iraque, o regime de Fidel prendeu e executou pessoas que sequestraram um navio para fugir para Miami. Também, mandou prender e condenou a penas altíssimas opositores, incluindo, jornalistas, poetas, e dirigentes de grupos de defesa de direitos humanos.
A diferença entre um e outro pode ser enorme mas, pode ser mínima, também. No princípio, pode ter sido tudo MUITO diferente mas, passados tantos anos, as coisas mudaram e foram se assemelhando.
Não há argumento que me convença que Fidel, hoje, não deva ser visto apenas como um ditador. Que ele fez tudo o que ele fez, não há dúvida. Mas, também, não há dúvida sobre tudo o que ele faz.
Sábado, Março 29, 2003
Quarta-feira, Março 26, 2003
Precisão cirúrgica
Por que discutir a precisão das armas ultra modernas americanas na guerra e não discutir a capacidade de ação da polícia brasileira ?
Não consigo entender e muito menos deixar de me indignar com as notícias sobre balas perdidas que mataram jovens em São Paulo e no Rio de Janeiro. Por que a polícia reage com tiros a um assalto de metrô? O que foi roubado? Dinheiro? Quanto? Vale à pena puxar uma arma num local com centenas de pessoas circulando? O assalto foi filmado e por que não realizar investigação posterior ou seguir os bandidos pelas ruas até que um ação seja "segura"?
Por que uma garota de 14 anos é morta numa troca de tiros estúpida?....a nossa polícia não está tão desaparelhada, mal paga , mal treinada? Então que se analise quando vale à pena realmente usar uma arma.
Por que discutir a precisão das armas ultra modernas americanas na guerra e não discutir a capacidade de ação da polícia brasileira ?
Não consigo entender e muito menos deixar de me indignar com as notícias sobre balas perdidas que mataram jovens em São Paulo e no Rio de Janeiro. Por que a polícia reage com tiros a um assalto de metrô? O que foi roubado? Dinheiro? Quanto? Vale à pena puxar uma arma num local com centenas de pessoas circulando? O assalto foi filmado e por que não realizar investigação posterior ou seguir os bandidos pelas ruas até que um ação seja "segura"?
Por que uma garota de 14 anos é morta numa troca de tiros estúpida?....a nossa polícia não está tão desaparelhada, mal paga , mal treinada? Então que se analise quando vale à pena realmente usar uma arma.
Segunda-feira, Março 24, 2003
O Oscar
Violência. Só a deles. Bombas, tiros. Só "cirúrgicos" como no Iraque. Depois que "Cidade de Deus" não entrou para a corrida desse ano, jurei que nem assistiria a cerimônia. Mas não consegui cumprir a promessa e valeu à pena, afinal. Foi uma das melhores "festas" dos últimos anos.
Nosso Caetano deu um show es-pe-ta-cu-lar e foi nossa "lavada de alma" . Estava chiquérrimo, como sempre. Não levou como melhor canção mas, mostrou para todo o mundo sua voz e afinação maravilhosas. Era o Brasil no Oscar. Mesmo que em inglês!!
O bravo e destemido documentarista Michael Moore não jogou seu discurso fora, apenas com agradecimentos, e praguejou contra Bush. Foi espetacular, apesar das vaias. Houve muitos aplausos, também. Ele como muitos outros, sabe que não dá para toda uma classe de artistas se calarem diante de um presidente como Bush.
Vibrei com Almodóvar levando o prêmio de melhor roteiro original. É um dos grandes diretores de hoje e sabe falar de amor e de relações humanas, como nenhum outro. "Fale com ela" é belíssimo e não pode deixar de ser visto. Homens, assistam....Leiam o Jabor falando do filme e do amor, também.
De Almodóvar não esperava outra coisa e muito fino, deu seu recado evocando o estado de direito internacional. Bravo!!!
Da lista de concorrentes a melhor filme só havia assistido "O Pianista" e portanto, era meu favorito. Mas é um grande filme. Merecidíssimo o Oscar a Roman Polanski. Não sei de "Gangs of New York" apesar de Scorsese ser Scorsese.
Mas o ponto alto na minha opinião foi ver a Academia premiar Adrien Brody, outro que não se calou. Pulei do sofá!!! Entre seus adversários, dois dos meus atores favoritos: Jack Nicholson e Daniel Day- Lewis.
Adrien está estupendo no papel do pianista que luta pela sobrevivência na Polônia ocupada pelos nazistas. Que lindas sua emoção e surpresa ao ter o nome anunciado como o vencedor. Que expressão nos olhos tem esse rapaz. Foi aplaudido de pé pelos companheiros. E que beijo cinematográfico em Halle Berry. Que sorte teve esta mulher!!!
ps: melhor que tudo, porém, foi saber do vencedor do "Framboesa de Ouro" de pior ator: Roberto Benigni por Pinóquio. Sem link...
Sexta-feira, Março 21, 2003
Sobre a Guerra
É mesmo muito triste e assustador que milhões de pessoas no mundo todo unidas por uma desejo comum, de paz, não consigam sequer se fazer ouvir e que suas vozes, cartazes e manifestações sejam completamente desprezados. Nem mesmo, dentre esses, aqueles americanos que se opõem à guerra. Estamos confirmando que o presidente dos EUA, sendo ele, um louco, claro, faz o que bem entender, quando entender e que muitos e por muito tempo pagarão por isso. Não haverá mais segurança em lugar algum, pois, há empresas, órgãos, escritórios americanos e, também, ingleses, pelo mundo todo.
Que o mundo e, também, muitos iraquianos gostariam de se ver livres de Sadam Hussein, não há dúvida mas, a maneira como isso será levado a contento fará toda a diferança. Sadam pode sair como um mártir desta guerra e ter sua imagem de ditador cruel até esquecida ou amenizada.
O que poderia acontecer se os EUA esperassem o prazo de um mês a mais para as inspeções no Iraque?
Alguns jornalistas e artigos que valem à pena ser lidos.
Carlos Heitor Cony : "Nenhuma guerra dura seis dias" (Folha de S.Paulo)
Luís Fernando Veríssimo: "Nomes de respeito" (O Globo on line)
Cobertura da guerra por blogueiros do mundo todo: "Blogueiros fazem cobertura independente da guerra" (UOL)
Nicolau Sevcenko :"De volta à Idade Média" (especial para a Folha)
É mesmo muito triste e assustador que milhões de pessoas no mundo todo unidas por uma desejo comum, de paz, não consigam sequer se fazer ouvir e que suas vozes, cartazes e manifestações sejam completamente desprezados. Nem mesmo, dentre esses, aqueles americanos que se opõem à guerra. Estamos confirmando que o presidente dos EUA, sendo ele, um louco, claro, faz o que bem entender, quando entender e que muitos e por muito tempo pagarão por isso. Não haverá mais segurança em lugar algum, pois, há empresas, órgãos, escritórios americanos e, também, ingleses, pelo mundo todo.
Que o mundo e, também, muitos iraquianos gostariam de se ver livres de Sadam Hussein, não há dúvida mas, a maneira como isso será levado a contento fará toda a diferança. Sadam pode sair como um mártir desta guerra e ter sua imagem de ditador cruel até esquecida ou amenizada.
O que poderia acontecer se os EUA esperassem o prazo de um mês a mais para as inspeções no Iraque?
Alguns jornalistas e artigos que valem à pena ser lidos.
Carlos Heitor Cony : "Nenhuma guerra dura seis dias" (Folha de S.Paulo)
Luís Fernando Veríssimo: "Nomes de respeito" (O Globo on line)
Cobertura da guerra por blogueiros do mundo todo: "Blogueiros fazem cobertura independente da guerra" (UOL)
Nicolau Sevcenko :"De volta à Idade Média" (especial para a Folha)
Segunda-feira, Março 17, 2003
Na Semana Passada
Sonho de consumo
Ter estado em NY, dia 10 de março, e ser convidada (sonho, mesmo!) pra ver minha banda do coração entrar para o "Rock and Roll Hall Of Fame".
Que banda? The Police!! Como eu era vidrada neles..."Every breath you take" foi e continua um hino. Que saudades!!!
Cinema
Na terça-feira fui assistir ao filme "O Pianista" e até hoje me pego com as lembranças das suas fortes imagens. Elas retratam o holocausto de uma forma crua e real...supera até "A lista de Schindler". Chorei várias vezes durante a projeção, xinguei (isso mesmo!) e ao final tive que me conter para não sair da sala em prantos e soluçando. Isso já aconteceu comigo antes. Num filme de temática diferente mas, com algo em comum: a que ponto pode chegar a barbaridade, a violência e o desprezo que um ser humano é capaz de dirigir a outro.
Voltar a falar sobre o holocausto será sempre necessário e acho que todos deveriam ver o filme. É algo que precisa ser lembrado para não ser repetido....
E que forma de manifestação que não o cinema pode dar a real dimensão do que se passou. Por diversos momentos, me senti expectadora não de um filme, numa sala de cinema mas, expectadora da guerra mesmo, espiando pelas janelas estilhaçadas, como o protagonista.
O Jabor disse que achou o filme um pouco esquemático e até entendo e concordo mas, ainda assim o resultado final é belíssimo, comovente, inesquecível. E a trilha sonora é maravilhosa. Imperdível!
Ainda cinema...
Revi na televisão, "O Nome da Rosa". Não li o livro mas, ainda o farei. Adoro a estória do monge apaixonado pelos livros e ávido pela sabedoria dos clássicos buscando desvendar crimes misteriosos à la Sherloc Holmes, e lutando contra a Inquisição. A sequência na biblioteca quando o monge encontra o segundo volume de "A Poética" de Aristóteles, que estava desaparecido e ficava escondido por fazer apologia do "riso", sua satisfação e o incêncio que se segue, é super. Fico sempre pensando em todos aqueles livros perdidos e a na biblioteca maravilhosa que desaparece...Vale rever sempre!
Futebol
Adoro meu vizinho do andar de cima. Garoto esperto, 10 anos, toca um sax quase "profissa", já apareceu no Jô, na Galisteu... Mas tem um defeito grave: é corintiano. E como pulou e gritou no jogo de domingo. Quase fui pra janela fazer o mesmo. No final, ele se deu bem...mas vem revanche.
Sonho de consumo
Ter estado em NY, dia 10 de março, e ser convidada (sonho, mesmo!) pra ver minha banda do coração entrar para o "Rock and Roll Hall Of Fame".
Que banda? The Police!! Como eu era vidrada neles..."Every breath you take" foi e continua um hino. Que saudades!!!
Cinema
Na terça-feira fui assistir ao filme "O Pianista" e até hoje me pego com as lembranças das suas fortes imagens. Elas retratam o holocausto de uma forma crua e real...supera até "A lista de Schindler". Chorei várias vezes durante a projeção, xinguei (isso mesmo!) e ao final tive que me conter para não sair da sala em prantos e soluçando. Isso já aconteceu comigo antes. Num filme de temática diferente mas, com algo em comum: a que ponto pode chegar a barbaridade, a violência e o desprezo que um ser humano é capaz de dirigir a outro.
Voltar a falar sobre o holocausto será sempre necessário e acho que todos deveriam ver o filme. É algo que precisa ser lembrado para não ser repetido....
E que forma de manifestação que não o cinema pode dar a real dimensão do que se passou. Por diversos momentos, me senti expectadora não de um filme, numa sala de cinema mas, expectadora da guerra mesmo, espiando pelas janelas estilhaçadas, como o protagonista.
O Jabor disse que achou o filme um pouco esquemático e até entendo e concordo mas, ainda assim o resultado final é belíssimo, comovente, inesquecível. E a trilha sonora é maravilhosa. Imperdível!
Ainda cinema...
Revi na televisão, "O Nome da Rosa". Não li o livro mas, ainda o farei. Adoro a estória do monge apaixonado pelos livros e ávido pela sabedoria dos clássicos buscando desvendar crimes misteriosos à la Sherloc Holmes, e lutando contra a Inquisição. A sequência na biblioteca quando o monge encontra o segundo volume de "A Poética" de Aristóteles, que estava desaparecido e ficava escondido por fazer apologia do "riso", sua satisfação e o incêncio que se segue, é super. Fico sempre pensando em todos aqueles livros perdidos e a na biblioteca maravilhosa que desaparece...Vale rever sempre!
Futebol
Adoro meu vizinho do andar de cima. Garoto esperto, 10 anos, toca um sax quase "profissa", já apareceu no Jô, na Galisteu... Mas tem um defeito grave: é corintiano. E como pulou e gritou no jogo de domingo. Quase fui pra janela fazer o mesmo. No final, ele se deu bem...mas vem revanche.
Quarta-feira, Março 12, 2003
"Uma lágrima
Para Al Hirschfeld, o grande desenhista da New Yorker, que era sinônimo de sofisticação ao estilo Algonquin, o hotel onde a revista nasceu: elegante, irônico, divertido, chique. Depois dele todos os caricaturistas pensaram duas vezes antes de usar um traço a mais."
Daniel Piza
fonte: O Estado de São Paulo 27 de janeiro de 2003
Quando li esta pequena notinha do Daniel Piza resolvi seguir a pista, curiosa que sou. Fui para a www e cheguei à várias páginas sobre o caricaturista Al Hirschfeld. À medida que eu descobria seus desenhos, suas caricaturas, mais eu queria ir adiante. Fiquei encantada. Seu desenho é mesmo tão marcante e único que tive a impressão de já ter visto algum trabalho seu antes.
Acabei, claro, paralisada nas suas caricaturas e desenhos sobre o cinema. Hirschfeld trabalhou por anos nos grandes estúdios americanos, em publicidade e departamentos de arte. Foi no cinema onde descobriu a caricatura.
Na Amazon, descobri o livro "Hirschfeld´s Hollywood" publicado para acompanhar uma exposição sua na Academy of Motion Pictures Arts and Sciences. Não resisti. Adquiri...
São mais de 100 desenhos, posters, caricaturas. A capa é dedicada a Groucho Marx. Maravilhosa!!! E o interior, e a contra-capa...Uma delícia reconhecer os artistas através muitas vezes de um pequeno detalhe, um leve traço. Pois ao contrário do Groucho, outros não são tão evidentes mas, ele consegue captar o que de mais característico tem o ator.
Há outros livros seus, muitos outros....
Não dá para descrever o prazer de saborear cada desenho. Vale a visita ao link acima, uma galeira on-line repleta dos seus desenhos.
They´re back
Pra quem curte o programa Manhattan Connection os últimos meses foram de suspense. Como tudo que é bom na TV não dá lucro, estava ameaçado de extinção. Mas alguém resolveu bancar a parada e o programa continua. Ainda bem, pois ultimamente quase nada na TV tá valendo à pena. Principalmente aos domingos.
Acompanho desde a época do Paulo Francis que ora me irritava, ora me levava às gargalhadas. Mas acabou me conquistando. Era o melhor do programa, claro. Ou ainda, o grupo era melhor com ele.
Que figura da televisão falava daquele jeito arrastado? Quem era tão sarcástico? Quem mandava tudo pro inferno? E como era inteligente. Sim, porque pra debochar precisa ser inteligente.
Hoje temos o Jabor que faz as vezes do Paulo.
Tá certo que o programa de reestréia foi uma comédia, mas acho que é comédia mesmo, né?
Valeu pelas imagens engraçadíssimas do Paulo Francis repetindo a cada erro ou interrupção: "p...que p...."
ps: a trilha que fechou o programa, Glenn Miller, maravilhosa.
ps2: avisaram do site oficial do Francis: www.paulofrancis.com
A DIFÍCIL tarefa de escrever
Começar este blog não foi difícil tecnicamente. Contei com ajuda do amigo Fred, cronista de futuro e , também, vasculhei os "manuais".
Difícil mesmo, foi arranjar coragem pra começar a escrever. Vontade não me faltava, nem assuntos sobre os quais gostaria de debater. Mas me expor assim, publicamente?
Colocar minhas opiniões não é problema, nunca foi para mim; nem mesmo reconhecer que posso estar errada, equivocada ou mal informada. O difícil é expor minha maneira de escrever, minha redação, meu texto. Como é difícil....Que stress. A maneira de escrever pode fazer você soar piegas, politicamente incorreto ou correto demais, ignorante ou blazé....e jogar por água abaixo suas boas idéias e caros conhecimentos. No cara a cara tudo é mais fácil....
Passei por situação semelhante num curso de roteiro para cinema que acabo de concluir. Para se escrever roteiros é preciso seguir certas regras. Ora elas ajudam, ora elas atrapalham. No começo é difícil livrar-se das recomendações que recebemos ainda no colégio, sobre redação e estilo. Tendemos a ser literários. Isso é normal, avisou o professor. Em seguida , decidir-se sobre o que falar. Que estória contar. Aí é mais divertido. Debruçar-se sobre causos do dia-a-dia, pequenas tragédias ou situações cômicas; misturar lembranças, imaginação e sonhos. Vale tudo...mas o modo de escrever, a "falta de talento" pode pôr tudo a perder.
Mas...como só quem escreve, aprende a escrever (portanto, talento ajuda mas não é tudo, graças a Deus), estou já há meses passando por esse martírio. Masoquismo mesmo. Mas com objetivo a longo prazo..
Apesar de alguns tropeços iniciais, seja na propaganda do blog ou em pequenas infelicidades literárias pretendo seguir em frente.
Por favor, please, meus queridos amigos e parentes, não digam que eu sou maravilhosa, que meu texto merecia um Pulitzer. Me poupem de pagar esse mico, tá?
ps: para vocês verem como o incentivo da família ajuda....
"Essa é a Lu...
(por Dudu Meirelles)
"Viagem de carnaval para o Rio, de carro novo: R$120,00 com Mastercard
Queijo coalho com orégano, na Praia do Pepê: R$1,00 com uma nota velha
Almoço no La Plancha com os irmãos e cunhadas: alguns bons Reais com Mastercard
Frisa no sambódromo na segunda-feira de carnaval: muitos reais com Mastercard
Esquecer do aniversário do irmão que mora no Rio e escrever um artigo sobre o Carnaval dizendo "Fiquei na Barra por motivos de força maior"
NÃO TEM PREÇO !!!!"
Começar este blog não foi difícil tecnicamente. Contei com ajuda do amigo Fred, cronista de futuro e , também, vasculhei os "manuais".
Difícil mesmo, foi arranjar coragem pra começar a escrever. Vontade não me faltava, nem assuntos sobre os quais gostaria de debater. Mas me expor assim, publicamente?
Colocar minhas opiniões não é problema, nunca foi para mim; nem mesmo reconhecer que posso estar errada, equivocada ou mal informada. O difícil é expor minha maneira de escrever, minha redação, meu texto. Como é difícil....Que stress. A maneira de escrever pode fazer você soar piegas, politicamente incorreto ou correto demais, ignorante ou blazé....e jogar por água abaixo suas boas idéias e caros conhecimentos. No cara a cara tudo é mais fácil....
Passei por situação semelhante num curso de roteiro para cinema que acabo de concluir. Para se escrever roteiros é preciso seguir certas regras. Ora elas ajudam, ora elas atrapalham. No começo é difícil livrar-se das recomendações que recebemos ainda no colégio, sobre redação e estilo. Tendemos a ser literários. Isso é normal, avisou o professor. Em seguida , decidir-se sobre o que falar. Que estória contar. Aí é mais divertido. Debruçar-se sobre causos do dia-a-dia, pequenas tragédias ou situações cômicas; misturar lembranças, imaginação e sonhos. Vale tudo...mas o modo de escrever, a "falta de talento" pode pôr tudo a perder.
Mas...como só quem escreve, aprende a escrever (portanto, talento ajuda mas não é tudo, graças a Deus), estou já há meses passando por esse martírio. Masoquismo mesmo. Mas com objetivo a longo prazo..
Apesar de alguns tropeços iniciais, seja na propaganda do blog ou em pequenas infelicidades literárias pretendo seguir em frente.
Por favor, please, meus queridos amigos e parentes, não digam que eu sou maravilhosa, que meu texto merecia um Pulitzer. Me poupem de pagar esse mico, tá?
ps: para vocês verem como o incentivo da família ajuda....
"Essa é a Lu...
(por Dudu Meirelles)
"Viagem de carnaval para o Rio, de carro novo: R$120,00 com Mastercard
Queijo coalho com orégano, na Praia do Pepê: R$1,00 com uma nota velha
Almoço no La Plancha com os irmãos e cunhadas: alguns bons Reais com Mastercard
Frisa no sambódromo na segunda-feira de carnaval: muitos reais com Mastercard
Esquecer do aniversário do irmão que mora no Rio e escrever um artigo sobre o Carnaval dizendo "Fiquei na Barra por motivos de força maior"
NÃO TEM PREÇO !!!!"
Terça-feira, Março 11, 2003
tira censurada na New Yorker
Os efeitos da guerra
Não se fala em outra coisa a não ser nos possíveis efeitos da guerra dos EUA contra o Iraque. Efeitos para eles e para o resto do mundo. Mas nada me chamou mais a atenção e aumentou minha indignação, do que os efeitos que já se fazem sentir por lá. Nos EUA. E que afeta a própria opinião pública americana e sua capacidade de julgar esta guerra .
Para começar, a divulgação pelo sindicato dos artistas de "recomendações" para boicotar aqueles que forem contra a posição do governo americano de ir à guerra. Estão sendo criadas "listas negras" de artistas!!!
Para quem não sabe, isso já aconteceu depois da 2º Guerra Mundial, quando o medo era dos comunistas. Atores, diretores e roteiristas de cinema eram interrogados, em situações muitas vezes armadas, e obrigados a denunciar colegas. Muitos perderam o emprego, tiveram a carreira arruinada e nunca mais tiveram seus nomes limpos. Ainda hoje tenta-se corrigir essas barbaridades.
Alguns nomes que se manifestaram contra a guerra: Vanessa Redgrave, Harry Belafonte, Oliver Stone, Sean Penn, Susan Sarandon, Martin Sheen, Penélope Cruz, Edward Norton, Alec Baldwin...
Lembro-me de que alguns artistas ameaçaram deixar os EUA caso Bush se elegesse. Já sabiam o que vinha pela frente. A ogeriza, o medo e a repulsa hoje se justificam.
Também a imprensa vem sofrendo pressões para não se manifestar contra a guerra, ou melhor, contra o governo. O que de mais terrível vem acontecendo é que parece que muitos estão se curvando a essas pressões como denunciou o artista gráfico, Art Spiegelman , numa entrevista ao jornal Corriere della Sera. Ele trabalhou por dez anos na revista New Yorker e teve uma tira de quadrinhos censurada por se referir ao medo que se instaurou nos EUA após os atentados de 11/set.
Ele é outro que pensa em deixar os EUA e se exilar na Europa. Na verdade, ele não é americano. É sueco.
Gostaria de saber o que a população americana está pensando sobre tudo isto, e sobre o futuro da democracia, liberdade de expressão e de imprensa naquele país. Direitos previstos na Constituição, afinal ! Ou será que eles não sabem o que está acontecendo?
Spiegelman diz que se não fosse pela internet, sua própria visão do mundo seria limitada.
Até agora não consegui perceber em nenhum dos nossos periódicos e telejornais uma justificativa para a guerra. Será que não estou acompanhando como devia? Ou será que uma justificativa que valha não foi apresentada até agora?
Segunda-feira, Março 10, 2003
Impressões sobre o Rio e o Carnaval
Falar sobre este carnaval já é praticamente passado mas, como não queria deixar de colocar minhas impressões, aí vai...
É o segundo ano que desfilo no carnaval do Rio e a primeira vez que assisto. Adoro esta festa e sempre adorei. Desfilar, então, numa grande escola é uma emoção única. Eu realmente me sinto parte de um grande grupo com um objetivo comum. Mais, ainda: desfilar ao lado de pessoas da comunidade, conversar com elas na concentração me faz , por um instante sentir que as coisas são diferentes. Me esforço no samba no pé. Cantar, é comigo mesma...e a minha alegria na avenida é enorme.
No final do desfile converso com a "vice-presidente" da minha ala, ao lado de quem desfilei praticamente quase todo o tempo e ela me agradece pelo empenho.....Não moro no Rio e por isso, não posso frequentar os ensaios mas, no próximo ano, estarei lá.
Mas....existe o outro lado da moeda, ou melhor, a realidade.
Não sei se sempre foi assim. Mas hoje, o desfile das escolas é um programa para quem tem dinheiro. O povão, não vai. Só participam aqueles que recebem ingressos gratuitos da sua comunidade, mas, estes acabam às vezes vendidos a terceiros. Por que será?
Os ingressos são caríssimos e a grande maioria da população pobre do Rio não pode ir aos desfiles. O motorista de táxi que nos levou ao sambódromo me pergunta o preço da fantasia e tenho vergonha em responder. O preço da frisa onde fiquei é impublicável. Se ele tivesse me perguntado eu ia mentir..... Ele diz que um dia, ainda irá assistir aos desfiles.
O carnaval na avenida reflete bem como é o Brasil: uma massa nas arquibancadas de pessoas que ainda podem gastar um pouco com diversão e a "classe privilegiada" (na qual me incluo) nas frisas e camarotes, seja pagando ou de graça... nas graças de uma grande empresa ou do dono do camarote.
Até a inspiração das escolas não é mais a mesma. Hoje, grandes empresas bancam as escolas, ou parte do desfile em troca simplesmente .....do enredo.
Sei que as escolas precisam de dinheiro para realizar seu desfile e, inclusive, é por causa disso que eu e outros milhares de pessoas, podem desfilar. A venda das fantasias ajuda a pagar o desfile. Mas afinal, é uma festa popular e acho que essa participação ainda é válida. Mas deve haver um limite.
Não sei o que será do carnaval no futuro, ao menos, do carnaval na avenida. Ainda mais se a violência do tráfico quiser atingir o espetáculo.
Apesar de tudo fui dormir recompensada pelos desfiles emocionantes da Mangueira e Beija-Flor. Ver Jamelão, no alto dos seus 90 anos, puxar aquele samba maravilhoso falando de paz, foi inesquecível:
"quem plantar a paz, vai colher amor
um grito forte de liberdade
na estação primeira ecoou!"
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Uma surpresa deliciosa foi ver um pequeno bloco chamado "Empurra que pega" desfilar pelo Leblon. Patrocício: Bar do Jobi. Depois veio o chopinho.....
Pra quem perdeu o "Simpatia É Quase Amor " e a "Banda De Ipanema" restou alguma coisa.....
Aliás, a "Banda de Ipanema" está nos cinemas . Vou conferir....
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Por motivos de força maior, fiquei hospedada na Barra. Mas como foi que permitiram tanta barbaridade arquitetônica num mesmo lugar? Aquela estátua da Liberdade na frente do shopping é o fim da picada. Sem maiores comentários.....Aquilo tudo devia ser muito lindo.
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Soube que no interior, em alguns clubes, o baile de carnaval agora se chama "tecnera'. Tradução : carnaval embalado por música tecno. Ainda bem que sou de outra geração...
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Adorei o artigo do Jabor sobre o carnaval. Pra quem não leu, vale à pena!
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Pronto. Agora o meu carnaval já passou. O ano pode começar. Enquanto não escrevesse tudo que queria não ia sossegar. Nem que fosse até a páscoa....
Falar sobre este carnaval já é praticamente passado mas, como não queria deixar de colocar minhas impressões, aí vai...
É o segundo ano que desfilo no carnaval do Rio e a primeira vez que assisto. Adoro esta festa e sempre adorei. Desfilar, então, numa grande escola é uma emoção única. Eu realmente me sinto parte de um grande grupo com um objetivo comum. Mais, ainda: desfilar ao lado de pessoas da comunidade, conversar com elas na concentração me faz , por um instante sentir que as coisas são diferentes. Me esforço no samba no pé. Cantar, é comigo mesma...e a minha alegria na avenida é enorme.
No final do desfile converso com a "vice-presidente" da minha ala, ao lado de quem desfilei praticamente quase todo o tempo e ela me agradece pelo empenho.....Não moro no Rio e por isso, não posso frequentar os ensaios mas, no próximo ano, estarei lá.
Mas....existe o outro lado da moeda, ou melhor, a realidade.
Não sei se sempre foi assim. Mas hoje, o desfile das escolas é um programa para quem tem dinheiro. O povão, não vai. Só participam aqueles que recebem ingressos gratuitos da sua comunidade, mas, estes acabam às vezes vendidos a terceiros. Por que será?
Os ingressos são caríssimos e a grande maioria da população pobre do Rio não pode ir aos desfiles. O motorista de táxi que nos levou ao sambódromo me pergunta o preço da fantasia e tenho vergonha em responder. O preço da frisa onde fiquei é impublicável. Se ele tivesse me perguntado eu ia mentir..... Ele diz que um dia, ainda irá assistir aos desfiles.
O carnaval na avenida reflete bem como é o Brasil: uma massa nas arquibancadas de pessoas que ainda podem gastar um pouco com diversão e a "classe privilegiada" (na qual me incluo) nas frisas e camarotes, seja pagando ou de graça... nas graças de uma grande empresa ou do dono do camarote.
Até a inspiração das escolas não é mais a mesma. Hoje, grandes empresas bancam as escolas, ou parte do desfile em troca simplesmente .....do enredo.
Sei que as escolas precisam de dinheiro para realizar seu desfile e, inclusive, é por causa disso que eu e outros milhares de pessoas, podem desfilar. A venda das fantasias ajuda a pagar o desfile. Mas afinal, é uma festa popular e acho que essa participação ainda é válida. Mas deve haver um limite.
Não sei o que será do carnaval no futuro, ao menos, do carnaval na avenida. Ainda mais se a violência do tráfico quiser atingir o espetáculo.
Apesar de tudo fui dormir recompensada pelos desfiles emocionantes da Mangueira e Beija-Flor. Ver Jamelão, no alto dos seus 90 anos, puxar aquele samba maravilhoso falando de paz, foi inesquecível:
"quem plantar a paz, vai colher amor
um grito forte de liberdade
na estação primeira ecoou!"
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Uma surpresa deliciosa foi ver um pequeno bloco chamado "Empurra que pega" desfilar pelo Leblon. Patrocício: Bar do Jobi. Depois veio o chopinho.....
Pra quem perdeu o "Simpatia É Quase Amor " e a "Banda De Ipanema" restou alguma coisa.....
Aliás, a "Banda de Ipanema" está nos cinemas . Vou conferir....
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Por motivos de força maior, fiquei hospedada na Barra. Mas como foi que permitiram tanta barbaridade arquitetônica num mesmo lugar? Aquela estátua da Liberdade na frente do shopping é o fim da picada. Sem maiores comentários.....Aquilo tudo devia ser muito lindo.
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Soube que no interior, em alguns clubes, o baile de carnaval agora se chama "tecnera'. Tradução : carnaval embalado por música tecno. Ainda bem que sou de outra geração...
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Adorei o artigo do Jabor sobre o carnaval. Pra quem não leu, vale à pena!
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Pronto. Agora o meu carnaval já passou. O ano pode começar. Enquanto não escrevesse tudo que queria não ia sossegar. Nem que fosse até a páscoa....
Sexta-feira, Fevereiro 28, 2003
Ah....o Carnaval
É durante o verão quando mais nos orgulhamos e agradecemos a Deus por termos nascido brasileiros!!!! Ah...nossas praias, nosso mar, nossa brisa, nossas frutas, nossa música, nossa gente...Somos um povo alegre, que vive num país desigual, e que mesmo assim consegue criar e recriar a maior festa do planeta...o Carnaval. O Carnaval é o ápice do verão; é como se necessitássemos celebrar de uma vez por todas e de forma grandiosa, toda a beleza e a alegria da estação.
Mesmo com a impressão de que o mundo está diferente, de que não vivemos mais num planeta tão seguro assim, de que há tanta energia conspirando a favor da destruição e violência, ainda assim parece que nestes dias, tudo fica suspenso. Deixamos as tristezas, as indecisões, os medos para depois. Sempre depois do carnaval....
E as lembranças. Que deliciosas lembranças de outros carnavais: o carnaval de rua de Piracicaba quando os carros alegóricos eram "puxados" por tratores; a guerra de confete e serpentina com os primos na casa da vovó; o desfile visto de "camarote" (a sacada do prédio onde funcionava a rádio AM do meu avô); os bailes num dos clubes da cidade e o frenesi de passar da matinê para o baile de verdade....e os amores de carnaval, claro!!
Enquanto escrevo assisto ao emocionante desfile da escola Rosas de Ouro. Por duas vezes já estive no sambódromo de São Paulo, e a cada ano o desfile dos paulistas fica mais lindo. Amanhã, apesar dos últimos acontecimentos, parto para mais um carnaval na Cidade Maravilhosa. A sensação de desfilar pela avenida é indescritível e novamente, vou me esbaldar na folia!!
Bom carnaval a todos!!
Quarta-feira, Fevereiro 26, 2003
Eles se vão mas, os filmes ficam...
"Com a morte de Alberto Sordi, ontem em Roma, se vai o último de uma grande estirpe de atores italianos.Vittorio Gassman, Marcello Mastroianni e Alberto Sordi encarnavam, cada qual a seu modo, aquele caráter peninsular que com muita facilidade mescla riso e lágrimas, sentimentalismo e profundidade".
"Ha´cômicos que parecem encarnar a alma de um país. Você pode pensar em Fernandel na França, em Oscarito no Brasil, em Cantinflas no México e,claro, Alberto Sordi na Itália..."
"...encarnou, melhor do que ninguém, o italiano médio."
O Estado de S.Paulo
Não posso mentir e dizer que vi todos os seus filmes, conheço sua biografia, acompanhei sua carreira. Mas assisti "I vitelloni" (Os Boas-Vidas) e basta. Foi dirigido por Fellini e é hilário. Os críticos nos jornais de hoje dizem que nem foi seu melhor filme....
Mastroianni já se foi... Fellini já se foi.... Alberto Sordi já se foi...Ainda bem que o cinema é o cinema e os filmes ficam !
Sábado, Fevereiro 22, 2003
O Poeta da Luz
Durante a reforma do apto onde vivo hoje, eu, administradora de empresas por formação, aspirante a diretora de cinema por absoluta paixão, me descobri, também, uma arquiteta frustrada. E uma amante do design. Mergulhei de cabeça nas revistas, livros e sites. Visitei lojas e show rooms para arquitetos. E descobri um artista único, um ... poeta da luz. Foi paixão à primeira vista!!
Quem gosta de design ou simplesmente os admiradores da bela arte não devem deixar de conhecer o lighting designer Ingo Maurer.
Nascido na Alemanha há 70 anos, filho de um pescador, não teve formação acadêmica tradicional em design. Foi aprendiz de tipógrafo. Mas sempre um observador, um capturador das sensações que a luz podia evocar. A essência do seu design é definida por ele próprio através da palavra francesa hazard; ela emerge do acaso, "em momentos totalmente inesperados quando a luz causa uma impressão sensual. Pode ocorrer na travessia da Brooklyn Bridge, ou caminhando por entre oliveiras e vendo a brincadeira que a luz causa nas folhas balançadas pelo vento."
Em seu studio em Munique ele começa a criar a partir de qualquer objeto que encontre e a maioria de suas obras tem nomes sugestivos e divertidos: uma porção de pratos de louça quebrados atrávés dos quais raios de luz escapam transformou-se no lustre "Porca Miseria!" .
A luminária vermelha acima, chama-se Kokoro, que significa coração em japonês e pertence a uma série em papel intitulada MaMoNuchies com a qual homenageia outro grande designer, o americano de origem japonesa, Isamu Noguchi, um mestre na arte em papel (Akari). A Kokoro tem um coração vermelho de metal preso a um fio de arame, que sai do papel e reflete a sua forma na parede. É linda!!!
Outros nomes que já atiçam a imaginação: BiBiBiBi (quem viu desenho animado e pronunciar em voz alta, vai ter uma idéia de como é!); Bob; Los Minimalos; Delight; Lucellino (que eu adoro!); Stardust; Tijuca (imaginem de onde veio a inspiração!) ; Don Quixote; Birds Birds Birds (objeto de desejo!!) e muito mais.....
Outras obras de Ingo Maurer também podem ser observadas ao vivo, como no metrô de Munique ou em lojas de Issey Miyake, outro gênio do design (de roupas).
Para o nosso orgulho, este Merlin da luz já expôs em conjunto com os irmãos Campana, designers brasileiros, no MoMa de New York.
Sua arte é de encher os olhos e o coração.....Vale à pena conferir. Em São Paulo a loja FAS vende suas obras (para poucos!) e têm praticamente todas as peças, inclusive uma de suas últimas criações, um lustre feito com garrafinhas de Campari que conheci na semana passada. Vou a esta loja como quem vai a uma galeria de arte; segue um suspiro atrás do outro.
Em New York, algumas de suas obras são vendidas na Moss , loja de design no Soho ou no seu próprio endereço: 89, Grand Street , NY 10013.
Não deixem de conhecê-lo!!
Quarta-feira, Fevereiro 19, 2003
Blogs:
existo, logo publico
por Giselle Beiguelman
Os sites pessoais ou comunitários trazem o melhor e o pior da comunicação on line
Blog é uma palavra estranha, sonora, tem jeito de onomatopéia, mas não é. Você pode não saber o que significa, mas certamente já ouviu em algum lugar. Derivada de web log ou weblog (registro de atividades, performance e acessos de um web site), ainda não foi incorporada ao completíssimo Merriam-Webster on line, que reúne 470 mil verbetes.
A despeito disso, a palavra blog está na boca do povo e na pauta do dia e define um site pessoal, ou comunitário, sem finalidades comerciais, que utiliza um formato de diário com registros datados e atualizados freqüentemente.
Estima-se que no ano passado, em 2002, 41 mil novos blogs foram criados a cada mês, segundo Tiffany Shlain, criadora e diretora do prestigioso “Webby Award”, “o” verdadeiro Oscar da internet.
O número é realmente espantoso, se lembrarmos que no início de 1999, antes do lançamento do primeiro sistema de criação e hospedagem gratuita de blogs (o Blogger), naquele mesmo ano, os blogs não passavam de 23.
Entretanto, quem digitou a palavra “blog” no Google, como eu, em janeiro deste ano, recebeu de troco 3.390.000 indicações de sites com esse perfil. Se, hipoteticamente, essa mesma busca fosse realizada em 1997, quando o termo foi cunhado por Jorn Barger, retornaria apenas um link como resultado (o “Robot Wisdom Weblog” de Barger).
Página cyberpunk dessa rápida história dos blogs (dê uma espiadinha no site que você entenderá o que estou dizendo), o blog de Barger não se assemelha, no lay-out e nas funcionalidades, aos de hoje. Contudo, seus princípios continuam orientando as discussões, das mais honestas as mais marketeiras, sobre o tema.
Entre esses princípios, vale lembrar:
1) Todo blog expressa a opinião de seu autor sobre um determinado tema ou sobre vários.
2) O conteúdo deve aparecer retrospectivamente (primeiro, os mais recentes).
3) Blog que faz jus ao nome tem muitos links externos, apontando para os logs (acessos) que seu autor gerou por aí e que, por sua vez, geraram, direta ou indiretamente, a motivação para que escrevesse e publicasse alguma coisa lá no seu blog.
4) Ninguém paga para acessar um blog.
5) Blog baseia-se em independência e compartilhamento e, por isso, é o futuro da comunicação.
Mas não foram esses princípios em si o que certamente fez esse tipo de site se transformar numa verdadeira “web paralela”, conforme prognosticava, em dezembro de 2000, David F. Gallagher, que escreve regularmente para a antenada seção “Circuits” do “The New York Times”.
Foram as funcionalidades interativas, que permitem comentar o escrito pelo autor de um determinado blog, e a produção de ferramentas eficientes, que dispensam conhecimentos de programação somadas ao marketing do “grátis e diretamente disponível para o mundo” os ingredientes dessa receita de sucesso.
Afinal, internet, para milhões de pessoas, ainda é uma grande máquina de encontrar pessoas e, se isso explica o “mistério” da audiência de salas de bate-papo, webcams e grupos de discussão, também complica a interpretação do potencial “memético” dessas coisas todas que envolvem novas práticas culturais, como sexo virtual, compartilhamento de arquivos e, sem dúvida alguma, blogs.
“Memes” são, seguindo a polêmica e interessante tese evolucionista de Richard Brodie, autor de “Virus of the Mind”, idéias contagiosas que se propagam como vírus e que, obedecendo a uma lógica darwinista, se impõem de acordo com processos de seleção natural.
Se a explosão dos blogs e, mais recentemente dos fotoblogs, comprova essa tese, no que diz respeito a sua forma de propagação, é preciso que se matize um pouco o processo de seleção natural que lhe é subjacente.
A priori, explicações como as dadas por Dave Winer, chefão, ou CEO como se diz, da Userland.com que definiu a ferramenta, na “Wired” de maio de 2002, dizendo que os blogs são o marco de um “retorno ao jornalismo amador, criado pelo amor à escrita e sem expectativa de retorno financeiro”, corroboram a tese de Brodie.
Mas, se lembrarmos que a Userland.com é a fabricante de um bom software para edição de blogs, o Radio UserLand, todo esse discurso meio tribalista, à la “eu sou de ninguém/ eu sou de todo mundo/ e todo mundo me quer bem”, fica um pouco relativo.
Infelizmente, pouquíssima coisa pode ser considerada realmente grátis na internet, assim como na chamada televisão aberta. Isso exigiria a formulação de políticas públicas de acesso, que envolveriam não só a garantia dos meios (conexão, computador e eletricidade), mas o direito à liberdade de opção de sistema operacional, provedor, companhia telefônica ou de cabo, equipamento, enfim, tudo que um pagante tem.
Contudo, é inegável, para além do falso romantismo do “grátis e disponível para o milhões de pessoas”, que o sucesso dos blogs aponte para duas questões: sua consolidação no contexto dos reality shows e a emergência de um jornalismo independente que tem chamado a atenção dos especialistas.
A primeira questão exigiria uma análise sociopsicológica (para qual infelizmente não tenho elementos) que se detivesse nessa crença (que se dissemina “memeticamente”) de que a existência mediada pela tela nos transforma em alguém famoso, que ser famoso é ser alguém e, também, sobre as especificidades dos relacionamentos e construção da identidade na web.
A segunda merece que se pense sobre o que se chama informação independente. Argumenta-se, a favor dos blogs, que seu crescimento demonstra a necessidade e vontade dos leitores de acessarem pontos de vista múltiplos sobre as notícias, num mundo em que a concentração dos serviços noticiosos em alguns conglemerados midiáticos abrevia a pluralidade de informação.
O grande contraponto, no entanto é, como diz o CEO do “New York Times on the Web”, que os leitores querem informação triada, apurada e linha editorial coerente, coisa que os blogs não podem oferecer.
O curioso é que respeitáveis órgãos de informação, como o jornal “The Guardian” e a revista “Wired”, entre outras publicações, têm citado blogs, como o “MetaFilter”, entre as fontes declaradas de alguns artigos, e outros, como o de Rebecca Blood, têm se tornado sites de referência sobre jornalismo independente.
Além disso, formatos híbridos, como o do “Blog do Tas”, que traz os ouvintes do programa de rádio para a internet e discute temas relacionados ao programa, apontam para um crescente papel dessa ferramenta no âmbito da convergência das mídias.
Esse posicionamento dos blogs na malha de mídias fica evidente também na literatura, começando a dar corpo a um gênero literário baseado na experiência dos blogs pessoais de seus autores, como é o caso da gaúcha Clarah Averbuck, autora de “Máquina de Pinball” (Conrad, 2002) e do conhecido blog “brazileira!preta”.
Para Komninos Zervos, um dos mais respeitados e-poetas da internet, que lançou recentemente um audioblog, onde arquiva poemas sonoros produzidos por ele antes de 1995, o potencial de transformação da literatura pelos blogs é menos importante que a mudança que implica para a postura do autor.
Comentando o assunto, disse Komninos em entrevista à Trópico:
“Podemos dizer que todo o processo das listas de discussão refere-se a um discurso on line contínuo que flui sem parar. Os blogs são mais ou menos assim, porém se diferenciam dessa estrutura discursiva por estarem baseados em um único autor.
É muito interessante saber que posso entrar nos blogs de outros escritores e saber o que eles estão criando e pensando, diariamente, mas isso transforma o artista numa espécie de transmissor ligado 24 horas por dia, de segunda à segunda.
Pode ser que isso crie problemas, na medida em que a manutenção dessa telepresença on line, que deve ser constantemente atualizada e necessita do ‘feed back’ dos outros para se afirmar, demanda muitas horas diante do computador.
Recentemente foi descrito um novo tipo de dependência, típica de quem usa muito telefone celular, que é a ‘síndrome do contato permanente’. Pode ser que os blogueiros venham sofrer de outra, a da ‘conexão permanente’”.
Komninos, no entanto, acredita que se pode falar na emergência de uma “blog art”. “Os blogs podem ser interessantes para trabalhos colaborativos, em que quatro ou cinco artistas se reúnam para desenvolver conjuntamente um trabalho. Outros projetos, como o videoblog de Adrian Miles, parecem realmente apontar para a viabilidade dessa nova área”, afirmou.
No campo da arte, há ainda que destacar os sites de escritores que acrescentaram um blog às outras seções de seu site, como é o caso do de William Gibson, que traz alguns relatos interessantes sobre livros e leituras, mas não é aberto a comentários, nem necessariamente relacionado a seus projetos em curso.
Em sua grande maioria, (basta conferir um diretório como o do Google sobre o assunto, ou um especializado, como o eatonweb) os blogs são uma mistura de site pessoal com fórum sobre assuntos variados (de arte a celebridades, passando por esportes e mídia) sem se deter em um assunto fixo.
Muitos, como os brasileiros “eu hein?” e o “biscoito fino”, trazem algumas sátiras sobre comunicação de massas bem engraçadas, lembrando, para os mais velhinhos, como eu, do tempo do “Planeta Diário”, produzido pelos atuais “Cassetas”, que era vendido em banca de jornal.
Uma quantidade incontável de cyberlixo é produzida também nesses blogs, fazendo com que se pense que trazem, como a internet no seu todo, o melhor e o pior da comunicação, sem nunca passar pelos meios-termos.
Giselle Beiguelman
É professora do curso de pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP. Autora de "A República de Hemingway" (Perspectiva), entre outros. Desde 1998 tem um estúdio de criação digital (desvirtual - www.desvirtual.com) onde são desenvolvidos seus projetos, como "O Livro Depois do Livro", "Content=No Cache" e "Wopart". É editora da seção "Novo Mundo", de Trópico.
existo, logo publico
por Giselle Beiguelman
Os sites pessoais ou comunitários trazem o melhor e o pior da comunicação on line
Blog é uma palavra estranha, sonora, tem jeito de onomatopéia, mas não é. Você pode não saber o que significa, mas certamente já ouviu em algum lugar. Derivada de web log ou weblog (registro de atividades, performance e acessos de um web site), ainda não foi incorporada ao completíssimo Merriam-Webster on line, que reúne 470 mil verbetes.
A despeito disso, a palavra blog está na boca do povo e na pauta do dia e define um site pessoal, ou comunitário, sem finalidades comerciais, que utiliza um formato de diário com registros datados e atualizados freqüentemente.
Estima-se que no ano passado, em 2002, 41 mil novos blogs foram criados a cada mês, segundo Tiffany Shlain, criadora e diretora do prestigioso “Webby Award”, “o” verdadeiro Oscar da internet.
O número é realmente espantoso, se lembrarmos que no início de 1999, antes do lançamento do primeiro sistema de criação e hospedagem gratuita de blogs (o Blogger), naquele mesmo ano, os blogs não passavam de 23.
Entretanto, quem digitou a palavra “blog” no Google, como eu, em janeiro deste ano, recebeu de troco 3.390.000 indicações de sites com esse perfil. Se, hipoteticamente, essa mesma busca fosse realizada em 1997, quando o termo foi cunhado por Jorn Barger, retornaria apenas um link como resultado (o “Robot Wisdom Weblog” de Barger).
Página cyberpunk dessa rápida história dos blogs (dê uma espiadinha no site que você entenderá o que estou dizendo), o blog de Barger não se assemelha, no lay-out e nas funcionalidades, aos de hoje. Contudo, seus princípios continuam orientando as discussões, das mais honestas as mais marketeiras, sobre o tema.
Entre esses princípios, vale lembrar:
1) Todo blog expressa a opinião de seu autor sobre um determinado tema ou sobre vários.
2) O conteúdo deve aparecer retrospectivamente (primeiro, os mais recentes).
3) Blog que faz jus ao nome tem muitos links externos, apontando para os logs (acessos) que seu autor gerou por aí e que, por sua vez, geraram, direta ou indiretamente, a motivação para que escrevesse e publicasse alguma coisa lá no seu blog.
4) Ninguém paga para acessar um blog.
5) Blog baseia-se em independência e compartilhamento e, por isso, é o futuro da comunicação.
Mas não foram esses princípios em si o que certamente fez esse tipo de site se transformar numa verdadeira “web paralela”, conforme prognosticava, em dezembro de 2000, David F. Gallagher, que escreve regularmente para a antenada seção “Circuits” do “The New York Times”.
Foram as funcionalidades interativas, que permitem comentar o escrito pelo autor de um determinado blog, e a produção de ferramentas eficientes, que dispensam conhecimentos de programação somadas ao marketing do “grátis e diretamente disponível para o mundo” os ingredientes dessa receita de sucesso.
Afinal, internet, para milhões de pessoas, ainda é uma grande máquina de encontrar pessoas e, se isso explica o “mistério” da audiência de salas de bate-papo, webcams e grupos de discussão, também complica a interpretação do potencial “memético” dessas coisas todas que envolvem novas práticas culturais, como sexo virtual, compartilhamento de arquivos e, sem dúvida alguma, blogs.
“Memes” são, seguindo a polêmica e interessante tese evolucionista de Richard Brodie, autor de “Virus of the Mind”, idéias contagiosas que se propagam como vírus e que, obedecendo a uma lógica darwinista, se impõem de acordo com processos de seleção natural.
Se a explosão dos blogs e, mais recentemente dos fotoblogs, comprova essa tese, no que diz respeito a sua forma de propagação, é preciso que se matize um pouco o processo de seleção natural que lhe é subjacente.
A priori, explicações como as dadas por Dave Winer, chefão, ou CEO como se diz, da Userland.com que definiu a ferramenta, na “Wired” de maio de 2002, dizendo que os blogs são o marco de um “retorno ao jornalismo amador, criado pelo amor à escrita e sem expectativa de retorno financeiro”, corroboram a tese de Brodie.
Mas, se lembrarmos que a Userland.com é a fabricante de um bom software para edição de blogs, o Radio UserLand, todo esse discurso meio tribalista, à la “eu sou de ninguém/ eu sou de todo mundo/ e todo mundo me quer bem”, fica um pouco relativo.
Infelizmente, pouquíssima coisa pode ser considerada realmente grátis na internet, assim como na chamada televisão aberta. Isso exigiria a formulação de políticas públicas de acesso, que envolveriam não só a garantia dos meios (conexão, computador e eletricidade), mas o direito à liberdade de opção de sistema operacional, provedor, companhia telefônica ou de cabo, equipamento, enfim, tudo que um pagante tem.
Contudo, é inegável, para além do falso romantismo do “grátis e disponível para o milhões de pessoas”, que o sucesso dos blogs aponte para duas questões: sua consolidação no contexto dos reality shows e a emergência de um jornalismo independente que tem chamado a atenção dos especialistas.
A primeira questão exigiria uma análise sociopsicológica (para qual infelizmente não tenho elementos) que se detivesse nessa crença (que se dissemina “memeticamente”) de que a existência mediada pela tela nos transforma em alguém famoso, que ser famoso é ser alguém e, também, sobre as especificidades dos relacionamentos e construção da identidade na web.
A segunda merece que se pense sobre o que se chama informação independente. Argumenta-se, a favor dos blogs, que seu crescimento demonstra a necessidade e vontade dos leitores de acessarem pontos de vista múltiplos sobre as notícias, num mundo em que a concentração dos serviços noticiosos em alguns conglemerados midiáticos abrevia a pluralidade de informação.
O grande contraponto, no entanto é, como diz o CEO do “New York Times on the Web”, que os leitores querem informação triada, apurada e linha editorial coerente, coisa que os blogs não podem oferecer.
O curioso é que respeitáveis órgãos de informação, como o jornal “The Guardian” e a revista “Wired”, entre outras publicações, têm citado blogs, como o “MetaFilter”, entre as fontes declaradas de alguns artigos, e outros, como o de Rebecca Blood, têm se tornado sites de referência sobre jornalismo independente.
Além disso, formatos híbridos, como o do “Blog do Tas”, que traz os ouvintes do programa de rádio para a internet e discute temas relacionados ao programa, apontam para um crescente papel dessa ferramenta no âmbito da convergência das mídias.
Esse posicionamento dos blogs na malha de mídias fica evidente também na literatura, começando a dar corpo a um gênero literário baseado na experiência dos blogs pessoais de seus autores, como é o caso da gaúcha Clarah Averbuck, autora de “Máquina de Pinball” (Conrad, 2002) e do conhecido blog “brazileira!preta”.
Para Komninos Zervos, um dos mais respeitados e-poetas da internet, que lançou recentemente um audioblog, onde arquiva poemas sonoros produzidos por ele antes de 1995, o potencial de transformação da literatura pelos blogs é menos importante que a mudança que implica para a postura do autor.
Comentando o assunto, disse Komninos em entrevista à Trópico:
“Podemos dizer que todo o processo das listas de discussão refere-se a um discurso on line contínuo que flui sem parar. Os blogs são mais ou menos assim, porém se diferenciam dessa estrutura discursiva por estarem baseados em um único autor.
É muito interessante saber que posso entrar nos blogs de outros escritores e saber o que eles estão criando e pensando, diariamente, mas isso transforma o artista numa espécie de transmissor ligado 24 horas por dia, de segunda à segunda.
Pode ser que isso crie problemas, na medida em que a manutenção dessa telepresença on line, que deve ser constantemente atualizada e necessita do ‘feed back’ dos outros para se afirmar, demanda muitas horas diante do computador.
Recentemente foi descrito um novo tipo de dependência, típica de quem usa muito telefone celular, que é a ‘síndrome do contato permanente’. Pode ser que os blogueiros venham sofrer de outra, a da ‘conexão permanente’”.
Komninos, no entanto, acredita que se pode falar na emergência de uma “blog art”. “Os blogs podem ser interessantes para trabalhos colaborativos, em que quatro ou cinco artistas se reúnam para desenvolver conjuntamente um trabalho. Outros projetos, como o videoblog de Adrian Miles, parecem realmente apontar para a viabilidade dessa nova área”, afirmou.
No campo da arte, há ainda que destacar os sites de escritores que acrescentaram um blog às outras seções de seu site, como é o caso do de William Gibson, que traz alguns relatos interessantes sobre livros e leituras, mas não é aberto a comentários, nem necessariamente relacionado a seus projetos em curso.
Em sua grande maioria, (basta conferir um diretório como o do Google sobre o assunto, ou um especializado, como o eatonweb) os blogs são uma mistura de site pessoal com fórum sobre assuntos variados (de arte a celebridades, passando por esportes e mídia) sem se deter em um assunto fixo.
Muitos, como os brasileiros “eu hein?” e o “biscoito fino”, trazem algumas sátiras sobre comunicação de massas bem engraçadas, lembrando, para os mais velhinhos, como eu, do tempo do “Planeta Diário”, produzido pelos atuais “Cassetas”, que era vendido em banca de jornal.
Uma quantidade incontável de cyberlixo é produzida também nesses blogs, fazendo com que se pense que trazem, como a internet no seu todo, o melhor e o pior da comunicação, sem nunca passar pelos meios-termos.
Giselle Beiguelman
É professora do curso de pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP. Autora de "A República de Hemingway" (Perspectiva), entre outros. Desde 1998 tem um estúdio de criação digital (desvirtual - www.desvirtual.com) onde são desenvolvidos seus projetos, como "O Livro Depois do Livro", "Content=No Cache" e "Wopart". É editora da seção "Novo Mundo", de Trópico.
